Posted 3 days ago / 3 notes
Contos sob chuva.

Esse é o meu querido sumário. Um projeto a ser cumprido.

1. Sobre o destino

2. Sobre a curiosidade

3. Sobre a alegria

4. Sobre o medo

5. Sobre os ensinamentos

6. Sobre os segredos

7. Sobre a música

8. Sobre a solidão

9. Sobre o amor

10. Sobre despedidas

11. Sobre mudanças

12. Sobre a sorte

13. Sobre a família

14. Sobre o aprendizado

15. Sobre a amizade

16. Sobre a saudade

Posted 1 week ago / 1 note
You can write but you can’t edit
Without holes in your sheet.
—Regina Spektor e eu, 15/05/12 numa aula de sociologia sobre Marx.
Posted 1 week ago / 1 note
A letter for her.

Caríssima,

Pensei por algum tempo que nunca seria necessário escrever uma carta a você. Hoje vejo que me enganei redondamente, e que é exatamente por isso que eu realmente devo fazê-lo.

É algum motivo pessoal? Está tentando me atingir de propósito? Claro que anteriormente você já tinha mandado bombas de todos os lados, mas até aí era bastante esperável. Passei por cima, é claro. Pode ter demorado, mas passei.

Mas dessa vez não. Não, não é algo que eu deva passar por cima, porque na verdade não é nada mais do que aquele preconceito basal aplicável de forma contrária na pessoa errada. A pessoa errada, isso aí.

Como se já não fossem coisas demais, não é mesmo? Obviamente não seria assim tão fácil passar por esses quatro anos. Sempre há algo mais, e sempre é perto do fim. O Fim.

É isso mesmo, dona Decepção. A senhora conseguiu enfim me surpreender. Meus parabéns.

E do fundo do meu coração, ultrapassou a que eu achava que era a maior.

É o tempo aumentando as proporções da vida.

Att

Dona Luísa.

Posted 1 week ago / 1 note
Eu sou aquele tipo de pessoa que não consegue fugir dos padrões. Nem quando eu tenho chance.
Posted 1 week ago / 4 notes
Don’t bother me (Blue Jay Way 3,5)

(Eu sou um ser humano.)

Em que ponto uma coisa deixa de ser nostalgia e passa a ser saudade?

E de novo a história dos extremos. A todo tempo pareço enxergar pessoas que não suportam lembrar de quem já foram, e outros que vangloriam uma fase ou uma personalidade passada.

São ciclos passando e eu sinto fases a vir. São sempre os mesmos questionamentos que se manifestam de forma diferente, pessoas que passam como borrões em sua cabeça prontas para te deixar maluco. São os acordes dissonantes que correm pela sua mente preenchendo-a de novidades indesejadas que em outra vida já foram pedaços de papel rasgados jogados no lixo.

São encontros de quem somos e o que fazemos com isso. Como lidamos com nós mesmos, com as nossas mudanças e nossas atitudes (e as dos outros). É a confusão de estar sem uma linha de raciocínio, uma nostalgia de um dezembro estranho que passou e agora tenta cutucar sua vida. E você percebe que agora sim é feliz.

Foi por isso que percebi como as coisas mudaram durante todo esse tempo. Qual era a situação da época e qual é a situação atual. Qual foi a lição que tirei nesse meio tempo, depois que tive que tomar todas as decisões que tomei (mudadas drasticamente por ocasião) e todas as descobertas que fiz. No fim, encaro esta parte do meu ano passado um aprendizado tão grande quanto o que eu considerava ser o maior. Porque agora ele me parece extremamente útil, não só para mim mas para pessoas ao meu redor.

E aí então por um lado eu sinto nostalgia. Sim, a nostalgia me persegue por tudo que já vivi e vai me perseguir no futuro, porque não me arrependo de absolutamente nada que fiz. Os erros que cometi são exatamente as situações das quais mais sinto orgulho agora, porque me permitem enxergar perfeitamente o que eu não farei novamente. Isso me conforta.

Por outro lado, sempre é desconcertante quando você tem que passar pelo mesmo questionamento que um dia te levou ao erro, e você tem fixamente na sua cabeça que não pode cometê-lo novamente. Não que minha ocasião atual tenha levado especificamente ao erro no passado, até porque tudo isso é impossível de ser repetido. Mas apenas reflito. E então, rio. 

Rio porque é engraçado. É engraçado perceber o quanto nós sentimos coisas incontroláveis que podem variar desde raiva, ódio e indiferença, passar por medo, estranheza e teimosia, e chegar em amor, carinho e confiança. É claro que tudo isso tem suas variáveis extremistas que são exatamente o que pode te levar à loucura. Mas se um dia você chegar a esse ponto, lembre-se de não se arrepender de seus erros, porque eles serão úteis.

Rio porque na verdade o meu agora é o aprendizado do qual irei rir no meu futuro. Sim, é por isso que rio tanto. O que faz valer a pena é rir, rir o tempo todo e não importa do quê. Rir da vida, rir da sua confusão e rir do que você está sentindo, mesmo que no fundo se sinta a pior pessoa do mundo. Mesmo que você demore anos para superar um trauma, no fim você sabe que vai rir. 

E quando passar por uma situação semelhante, vai se lembrar e sentir nostalgia. E a nostalgia te fará rir.

E aí então você perceberá que não sente saudades. Porque não, ninguém sente saudades de seus erros, e eu e você sabemos mais do que ninguém que errar dói, errar machuca tanto a quem erra quanto a quem “recebe” o erro, e errar não parece bom pra ninguém. 

E a saudade vem de onde?

Dos acertos, é claro.

E por que você acertou?

Porque um dia você já errou.

Posted 2 weeks ago

Quem vê cara não vê coração.

É como se eu fosse um transformador e você um retificador. A diferença é que com você todos os eletrodos funcionam, e comigo só o rutílico.

É inveja de minha parte, apenas inveja.

Quem vê cara não vê coração.

Posted 3 weeks ago
Anonymous asked “are you going to the beatles: the lost concert" movie when it comes out next month?”

unfortunately not :/ i’m brazilian, and here this film won’t be on the movie theatres 

Posted 3 weeks ago / 3 notes
Dear Prudence.

Ela dançava desconcentrada, desabando pelo caminho onde pisava. Seria uma bailarina que ainda não sabia usar sapatilha de ponta? Outrora cantava tendo esquecido a letra, e no lugar de sua voz saiam apenas sussurros esquecidos que pertenciam a outra vida. Soprava a flauta sem ter mais ar nos pulmões e deslizava os dedos pelas teclas do piano fazendo uma escala cromática interrompida. Não tinha nenhuma força para continuar sua arte, mas continuou.

Não se preocupava em enxugar as lágrimas porque a sala estava escura e ela se sentia sozinha. Talvez não estivesse verdadeiramente sozinha, mas isso não fazia muita diferença. Tocou a ponta de seu vestido já aposentado de ballet, que agora vestia sem motivo algum. Ela procurava um motivo, o seu motivo.

Foi girando em seu próprio eixo, com a velha sapatilha rasgada e completamente desajeitada (resultado de anos de sedentarismo pelo abandono da dança), que ela sentiu uma mão tocar sua cintura.

Não foi um gesto brusco, nem de proibição e tampouco assustou a bailarina. Ela não parou de girar e nem sequer abriu os olhos. Era um gesto delicado de uma mão masculina que, no fundo, ela sabia de quem era e não queria acreditar. Sentia medo do que aquilo causaria em seu coração, mas não do que ele estava fazendo.

Quando a força do giro acabou e ela pousou o outro pé no chão, sentiu que o rosto dele se aproximava. Ele encostou a testa levemente em seu ombro, de uma forma que ela não precisava olhar para saber que trazia melancolia.

Ela sentia vontade de entrelaçar seus dedos nas mechas de seu cabelo e acariciá-lo como forma de consolo. Consolo pelo quê? Não seria ele que deveria consolá-la?

Talvez ela estivesse sendo injusta com ele e consigo mesma, mas ela não sabia o que estava acontecendo. Era apenas uma sala escura, um piano e um vestido de ballet, uma música que antes tocava mas agora havia silenciado. Já tentara tocar a flauta ou cantar alguma música do seu passado, mas sabia que nada funcionaria para que ela reerguesse quem era.

Como se ela soubesse quem realmente era.

- Você vai voltar? - ele sussurrou devagar em seu ouvido.

Ela não respondeu nem deixou que ele dissesse mais nada. Pegou em sua mão e fez com que ele dançasse junto com ela. 

Ela sabia que ele não dançava nada, nem valsa e muito menos ballet. Resistia fortemente à tentação de olhar para seu rosto, mesmo que estivesse escuro e não houvesse muito para ser visto. Não conseguia impedir que as lágrimas rolassem pelo seu rosto, mas conseguia impedir seu impulso de beijá-lo. Dançava bruscamente, com passos rápidos que não deixavam com que ela seguisse o ritmo da música que voltara a tocar.

Enquanto tentava fugir de seu verdadeiro destino, presa à sapatilha de ponta que já não sabia mais usar e à roupa cor-de-rosa que havia posto para tentar retomar sua vida anterior, sem querer deixou com que ele se aproximasse demais. Suas pernas roçaram acidentalmente e ela percebeu que ele usava a costumeira calça jeans.

Ela podia bloquear a visão mas não podia impedir que seu tato lhe trouxesse lembranças indesejadas. Sua mente invadiu-se repentinamente da imagem dele, cumprimentando-a de forma desleixada no colégio nas manhãs de inverno, sempre com o moletom perfumado. O abraço aconchegante, a pele quente e macia. 

Ela parou de repente, fraca demais para prosseguir em sua fuga. A música parou junto com seus pés, mas apenas ele notou este fato. Depois de alguns instantes de silêncio, o fantasma da bailarina chorou alto, se rendendo a um futuro inevitável. 

A garota o soltou, só então percebendo que anteriormente tinha as mãos em seus ombros, e tirou as sapatilhas com raiva, jogando-as para longe: uma delas bateu no piano, fazendo soar um acorde dissonante que apenas piorava a situação.

O choro não calava.

Sentia uma necessidade desesperadora de tirar o collant, a saia, a meia calça e se livrar de tudo que pudesse lembrá-la daquele passado musical. Não adiantava correr para o rosa, não adiantava correr para a clave de sol e não adiantava fugir do homem que estava agora encarando-a como uma pessoa louca.

Ele a olhava pacientemente.

Ela deixou as lágrimas molharem o chão e deixou as palmas de suas mãos sentirem o assoalho frio invadindo seu corpo. Tinha vontade de gritar, mas apenas conseguia um grito sem som.

Respirou fundo numa tentativa desesperadora de interromper os soluços e fechou os olhos de novo. O silêncio, o escuro, a solidão.

Ele encostou sua mão em seu ombro.

Talvez ela precisasse encarar o que estava acontecendo. O futuro, as mudanças, o abandono da infância. Era hora de conhecer uma nova música, uma nova dança. Não era mais uma garota mimada.

Virou seu rosto para ele e abriu os olhos. Esboçou um sorriso triste e deixou cair mais uma lágrima.

Ele segurou em sua mão e a puxou, para fazê-la sentar.

- Obrigada.

Encostou sua palma na pele quente dele, relembrando o conforto que sentia ao encontrá-lo em suas manhãs solitárias, em suas tardes solitárias. O seu costumeiro porto seguro.

Não hesitou em beijá-lo com um suspiro, sem se preocupar com o que tinha acontecido ou com o que iria acontecer. Era sua vida e era quem ela era.

Seu futuro.

Posted 3 weeks ago / 1 note
Always

Depois de tanto tempo, esperava ter algo para escrever.

De uma forma frustrante, porém não exatamente má, apenas consigo pensar em algumas coisas pairando no ar. Nada sólido, nenhuma reclamação ou grande alegria. Nada posso dizer sobre a vida que observo, nada posso pensar sobre o que me acontece. Apenas vejo os dias escorregando lentamente sob meus dedos, o fim chegando cada vez mais perto. Mas não dói.

Algumas descobertas, poucas mudanças, nada radical. É incrível como não é assim tão confortável conviver com o equilíbrio. Existem algumas coisas que incomodam, como a calmaria extrema. Não, eu não quero aqueles problemas de volta, estou muito bem assim, obrigada. Mas onde está a emoção, a ansiedade, a sede de viver?

Outro dia desenhei um gráfico no meu moleskine, de como eu gostaria que as coisas estivessem acontecendo. Não era uma senóide, nem uma cossenóide, nem nenhum tipo de linha pré-definida. Tudo bem, talvez se assemelhasse ligeiramente com uma senoide, mas não era uniforme. Ele foi desenhado no dia 08/02/12, e neste dia eu estava rezando para que a linha estivesse subindo, apesar de eu ainda estar abaixo do zero.

Ok, eu acertei.

Mas o gráfico ainda é semelhante a uma senóide. Pelo menos pelo fato de ter subidas e descidas.

Não estou falando da minha vida. Nem sei do que estou falando.

Novidades, onde vocês estão??

Posted 1 month ago / 5 notes
Hide Another Mistake

Estivera eu, outrora, sentada em uma ponte naquele riozinho, perdida em meus devaneios de menina. Eram apenas as dúvidas de uma juventude inocente, ou talvez seja apenas melhor pensar desta forma. Naqueles tempos, o que mais me intrigava era o perdão.

Eu havia tirado os sapatos sem perceber que a água estava muito gelada. O sol batia forte como não fazia há muito naquela manhã de outono, e o movimento daquele rio quase fazia cócegas em meus dedos. Não era exatamente um rio, nem um riozinho. Apenas um riacho, um córrego raso. 

Sim, o perdão. Minha mente vagava na dúvida do perdão. Apoiada na beirada da ponte, eu fechei os olhos e balancei os pés molhados respirando fundo. O que era o perdão? Para que ele servia? O que tornava uma pessoa merecedora dele?

Aquela era a primeira vez em que eu me questionava aquilo. Talvez nunca precisara perdoar ninguém antes, nunca fora realmente necessário. De certa forma, eu também não deveria estar pensando nisso naquele momento e daquela forma, porque ninguém tampouco implorara pelo meu perdão. Tudo bem, pode ter sido um simples pedido de desculpas, mas merecia a análise sobre o perdão.

Por que eu deveria perdoar? Não poderia me sentir atingida e incapaz de ceder perdão? Eu não tinha aquela obrigação, e podia fazê-lo sofrer como uma forma de vingança. Era verdade que eu já havia pedido perdão anteriormente, mas talvez (ah, os meus devaneios!) fosse apenas hipocrisia, vergonha, medo ou culpa errônea. Nunca parara para pensar se eu mesma era merecedora do perdão do outro, se perdoar agora não era exatamente uma obrigação por não ter merecido o perdão que ganhei outrora.

Não, não era isso. Eu sabia que não havia feito nada de errado e talvez ele também não tivesse errado de propósito. O problema não estava no perdão, e sim nos erros. O merecimento de um perdão reside no tamanho do erro do outro ou apenas no fato de ter sido ou não proposital? E de que forma o perdão da situação em que eu me questionava poderia ser avaliado proposital?

Decidi abrir os olhos para tentar fugir dos devaneios sobre o perdão. E então eu vi.

Era a água que se esgueirava por entre meus dedos, numa dança refrescante e alegre, que talvez fosse apenas a nossa vida. Sim, talvez nossa vida seja como um riacho, um córrego raso, que vai correndo sem pressa e passando pelas reentrâncias que encontra pelo caminho sem parar.

Ele corria devagar, mas dependendo do vento também poderia correr mais depressa. Levava consigo muito barro, muitas folhas caídas das árvores, muitos microorganismos e muitas pedrinhas. As pedrinhas, sim. Apanhei um punhado de pedrinhas ao lado da pequena ponte e joguei no córrego, observando-as correr com o rio sem parar.

Olhei então para o outro lado e encontrei uma pedra maior. Outra um pouco maior. E uma terceira maior ainda.

Olhei para debaixo de meus pés e percebi que no fundo do córrego haviam grandes pedras paradas, que ignoravam o movimento das águas. Apenas permaneciam ali, em seu lugar, fazendo seu papel de pedras.

Peguei uma das pedras grandes que me observava à minha esquerda e joguei-a na água. Ela foi afundando vagarosamente, como se pretendesse aproveitar cada centímetro da pequena profundidade do córrego. Como se quisesse afundar devagar, para deixar a água perceber sua presença.

Talvez as pedras fossem os erros. Os tipos de erros, os tamanhos de erros. Cada erro proporcionando sua dor respectiva, mas cada erro proporcionando seu precioso ensinamento, como uma pedra que se transforma em pérola. Alguns erros eram levados com a correnteza e esquecidos no tempo, enquanto outros afundavam e permaneciam ali pra sempre, deixando sua marca inesquecível no córrego da vida.

Eu não tinha percebido que haviam lágrimas em meu rosto, mas por um momento me arrependi de perder-me naqueles devaneios de menina. Sim, de menina. E eu não era mais apenas uma menina: era uma moça. E eu, como moça que era, não sentia mais aquelas dores.

Se aquela pedra merece meu perdão? Ainda não sei. Mas talvez hoje eu já não a veja mais como uma pedra.

Talvez ela tenha se transformado em um baú do tesouro.


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With tangerine trees and marmalade skies.
Somebody calls you, your answer quiet slowly
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